SONIBRU

sábado, 26 de dezembro de 2009

ARMANDO E OS QUATRO DO NORTE



Morreu-nos o pedaço de nós que estava em ti, Armando

Eras sempre a amena circunstância

Porque tudo o que passava por ti trazia perfume de paz

Garantia o sucesso aos companheiros,

Resolvia, docemente, o complexo desencontro,

A confusão entre o tarde e o cedo

O afrontamento entre o tudo e o nada.

Sabias fazer de anjo tutelar

E davas segurança a qualquer dúvida.

Agora, sem ti, somos mais pequenos.

Escolheste para despedida o teu dia certo.
Um dia muito tão próximo da data de celebrar famílias

O que vem mostrar como tudo é falso

De tão frágil e tão inconsistente.
Vai mesmo contigo um pedaço de nós.

Morrer é assim. Aos bocadinhos.

Bago a bago, como quem come um cacho de uvas;
Mas vamos escrever-te um poema.
Um poema de cetim bordado com violetas para ficar bem contigo.

Dar-to-emos num dia de muito sol e no meio do rio.
Tu mereces um cenário perfeito

Num espaço imaculado.

Por isso é que tudo terá que acontecer no meio do rio

Onde o silêncio se faz água.

Todavia, nunca nada será tão perfeito como tu mereces.

Dezembro 23/ 12/2009

Do Norte, onde moram quatro amigos

Joaquim Fonseca

José Cândido Rodrigues

Armindo Vilaça

António Soares

NATAL DO HEREGE


Traço o meu calendário quando me apetece

E é nele, que inscrevo os meus dias solenes.

É um calendário que, com toda a normalidade, desce o rio e desagua no mar

E, de tão rigorosamente pessoal, não tem horas de chegar.

Anda sempre carregado de estrelas e de imaginações

E desce pela névoa matinal sem normas e sem leme.

Não usa bandeiras nem se enfeita de cânticos sagrados.

O meu calendário é branco e azul e pouco delicado

Como tem ser para bem traduzir o peso do dever…

É leve, muito leve e carregado de infinitos

Que acontecem em todo o meu entorno:

Sempre os eventos são muito transparentes, mas sem dono.

Nunca celebro nada. Todavia, mesmo quando celebro,

De tão contrariado, estou bem fora da celebração.

E a minha prática mais frequente é a deserção

Anda por aí um frio que se aquece nas ruas

Onde lampadários atrevidos faúlham de festa

E oferecem músicas com sabor a mel.

Até gosto daquelas melodias que me poderiam embalar

Todos os dias para eu adormecer sem me drogar.

Um frenesim de compras, um sonho temporário

Os votos da felicidade inteira à porta do sacrário

Tudo é pretexto deste alarido que daria para rir

Se, por humanas razões, não tivesse vontade de chorar…

É tanto o desperdício popular

É tanta a estupidez a desfilar,

E sempre cada ano, ano após ano, ano após ano!!!

Quando eu dei conta do embuste em que andei manietado

E sustentado pelos pacóvio que cresciam e viviam a meu lado

Só não me revoltei porque sou sereno e racional

E não adianta querer

Esclarecer a rocha fria, o pinho agreste, a água bela e transparente

Que nasce e corre, inocente, da eterna e generosa fonte.

Mas tive, e tenho muita pena das pessoas, grandes e pequenas,

Que em cada ano, quando Dezembro é mau de frio,

Correm às novenas para preparar um desenlace tonto e repetido…

Como se em cada ano, vinda do além

Uma pomba chegasse e fecundasse

Outra alegre, devota e santa virgem

JCR Dezembro de 2009

NATAL DO HEREGE


Traço o meu calendário quando me apetece

E é nele, que inscrevo os meus dias solenes.

É um calendário que, com toda a normalidade, desce o rio e desagua no mar

E, de tão rigorosamente pessoal, não tem horas de chegar.

Anda sempre carregado de estrelas e de imaginações

E desce pela névoa matinal sem normas e sem leme.

Não usa bandeiras nem se enfeita de cânticos sagrados.

O meu calendário é branco e azul e pouco delicado

Como tem ser para bem traduzir o peso do dever…

É leve, muito leve e carregado de infinitos

Que acontecem em todo o meu entorno:

Sempre os eventos são muito transparentes, mas sem dono.

Nunca celebro nada. Todavia, mesmo quando celebro,

De tão contrariado, estou bem fora da celebração.

E a minha prática mais frequente é a deserção

Anda por aí um frio que se aquece nas ruas

Onde lampadários atrevidos faúlham de festa

E oferecem músicas com sabor a mel.

Até gosto daquelas melodias que me poderiam embalar

Todos os dias para eu adormecer sem me drogar.

Um frenesim de compras, um sonho temporário

Os votos da felicidade inteira à porta do sacrário

Tudo é pretexto deste alarido que daria para rir

Se, por humanas razões, não tivesse vontade de chorar…

É tanto o desperdício popular

É tanta a estupidez a desfilar,

E sempre cada ano, ano após ano, ano após ano!!!

Quando eu dei conta do embuste em que andei manietado

E sustentado pelos pacóvio que cresciam e viviam a meu lado

Só não me revoltei porque sou sereno e racional

E não adianta querer

Esclarecer a rocha fria, o pinho agreste, a água bela e transparente

Que nasce e corre, inocente, da eterna e generosa fonte.

Mas tive, e tenho muita pena das pessoas, grandes e pequenas,

Que em cada ano, quando Dezembro é mau de frio,

Correm às novenas para preparar um desenlace tonto e repetido…

Como se em cada ano, vinda do além

Uma pomba chegasse e fecundasse

Outra alegre, devota e santa virgem

JCR Dezembro de 2009